Na
História, em muitos momentos e sociedades, o corpo humano pôde se
apresentar com eloqüência e foi tratado com destaque; em outros
momentos e em muitas sociedades, foi subjugado por muitos tabus e
remetido ao ocultamento. Desde a mais remota antiguidade, o corpo
humano e seu funcionamento geram polêmicas. No cristianismo, a
corporeidade é tema paradoxal: por um lado, o corpo é visto como
elemento central na teologia cristã e está presente na encarnação, no
corpo humano de Jesus.Por outro lado, é reduzido a um estatuto
secundário, como um mal necessário ou a prisão da alma, em razão de
certa perspectiva dualista da tradição greco-romana que subjaz ao
pensamento ocidental moderno e contemporâneo. Mas que corpo é esse?
O corpo humano
O
corpo humano é um organismo vivo com características especiais em
relação aos corpos dos demais seres vivos. Está em constante mudança,
em um processo que começa no nascimento e vai até a morte.Cada corpo
humano é único, registrando as características genéticas e psíquicas de
cada ser humano.Registra também a relação desse ser humano com a
sociedade e com o meio ambiente em que vive.Assim o corpo é biológico e
psicossocial.
Os
seres humanos são seres sociais e vivem em comunidade. Essa convivência
exige que se façam pactos, acordos e regras, explícitos ou implícitos,
para que seja possível a coexistência. Esses pactos, acordos e regras
constituem a condição de possibilidade das sociedades e se consolidam
no que chamamos “cultura”.
Desenvolveram-se padrões de comportamento para os humanos em seus
corpos no mundo, que tem sentido e dizer para o ser humano e os demais
sujeitos na sociedade quem são, sua origem, seu papel e sua função na
sociedade, sua condição socioeconômica e muito mais. Dentre os
elementos da vida e sociedade, os seres humanos elaboram modelos a
serem seguidos para o adequado uso do corpo: como expressa-lo nos
diversos eventos e ritos sociais, como mantê-lo saudável, onde fazê-lo
residir e se comportar como corpos femininos ou masculinos, jovens ou
velhos, casados ou solteiros, livres ou não.
Hoje
todos disputam os corpos, tanto a igreja com a ciência: o “corpo ora é
laico, ora é sagrado,ora é frágil, ora poderoso, também foi e é
admirado, desejado, até amaldiçoado”.
No
entanto, esse fenômeno adquiriu contornos negativos, pois o corpo se
transformou, na sociedade de consumo, em objeto de exposição. O sujeito
da sociedade contemporânea reivindica sem limites o prazer físico, a
liberdade sexual e de expressão. Há busca desenfreada por um padrão de
corpo ideal, o que leva as pessoas a qualquer sacrifício para atingirem
os estereótipos de beleza que as farão aceitas e admiradas.
A
corporeidade necessita ser respeitada, conhecida, valorizada. É preciso
ter consciência dela para viver com outros corpos e com os corpos dos
outros. O ser humano não é simplesmente um corpo habitado por uma alma,
tampouco é apenas exterioridade biológica e racionalidade.
Kenia Cheib